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Chegamos a momentos na nossa vida em que, mais que reflectir sobre o que queremos realmente, devemos pensar no caminho que nos trouxe até aqui. Seguindo este raciocínio é igualmente tempo de tomar decisões e escolher um rumo. O processo de decisão nunca é fácil, pois pressupõe, quase sempre, uma única escolha, sendo muito difícil fazer várias ao mesmo tempo, de modo a cobrir todas as necessidades e satisfazer opiniões exteriores a nós, ou melhor dizendo, as expectativas sobre nós.Há bem pouco tempo regressei de uma aventura em África que dificilmente esquecerei, por culpa das profundas marcas que me deixou em todo o meu ser. Vivi experiências que não desejo a ninguém e muitas outras que todos quereriam experimentar. Regressei diferente. Ou talvez não tanto, tal a dificuldade que sempre tive em viver nestas terras onde nada se passa e se pensa baixinho. Muito baixinho mesmo... Partir não foi fácil, mas regressar não o foi menos.Eis-me assim num destes momentos: de reflectir e fazer escolhas. É portanto hora de encetar novos projectos, desbravar caminhos e realizar sonhos antigos.Este local permanecerá a partir de hoje, e por tempo indeterminado, em stand-by. Não será encerrado, pois é um espaço do qual gosto imenso, onde travei amizades interessantes demais para serem esquecidas, mas não sei quando voltarei a publicar seja o que for. É tempo de colocar outras escritas em dia.Mas vamo-nos vendo por aí, portanto um bem haja a todos e até breve.
Na senda da descoberta de novas formas de stress pós-qualquer-coisa os britânicos, sempre bem humorados, realizaram um estudo onde afirmam que hoje é o dia menos produtivo do ano.Ficamos pois então a saber que atrasar os relógios uma hora é desmotivante e deprimente. Imaginem só... Apesar de no domingo ter sido muito bom dormir mais uma horinha e da noite de sábado ter sido maior, o que deu para prolongar a noitada. Nos dias que correm já tudo o que é bom vai sendo deprimente: as férias, os fins de semana prolongados, o atrasar do relógio, etc. Resumindo e concluindo: o que a malta não gosta lá muito é de regressar ao trabalho e ponto final.Talvez por isso, coincidência ou não, hoje foi a tomada de posse do novo Governo.Temos pelo menos a certeza que o nosso quotidiano vai ser mais animado, pois estes últimos dias têm sido deveras tranquilos, onde nem sequer notámos a falta de governantes. O que não é necessariamente mau, pois deu para elaborar aquele interessante exercício que todos fazemos quando um colega de trabalho se ausenta: se não se dá pela sua falta o que é que ele anda por lá a fazer nos outros dias?
Esperam-se por isso dias animados em Portugal.
Confesso, no entanto, que tenho as expectativas elevadas quanto à próxima legislatura, pois discordo da teoria que uma maioria relativa constitua um quadro político complexo. Só mesmo em Portugal alguém afirma convictamente que o diálogo e a negociação sejam contraproducentes! É na troca de ideias, na discussão e no diálogo que nasce o conhecimento. Mas no entanto não podemos esquecer que não se consegue agradar a gregos e troianos, pois há que tomar decisões, por muito difíceis que nos pareçam.
Eu vou ainda mais longe, já que acredito que Portugal teria muito mais a ganhar se a maioria relativa se estendesse ao próprio Governo e não se limitasse à Assembleia da República, pois só assim poderíamos afirmar que se cumpre a vontade do povo, só assim se faria justiça com a distribuição dos votos.
É utópico? Sem dúvida. Mas por enquanto sonhar ainda não paga impostos.
Fazia eu a leitura de uma das mais primitivas prosas de Miguel Sousa Tavares no Expresso, onde o mesmo só falta defender que ainda deviam existir Coliseus, como na época romana onde homens e feras se esventravam para deleite do público, como forma de repudiar a recente Portaria que dita o fim dos animais nos circos, quando encontro esta pérola de Victor Hugo Cardinalli:"Eu também posso fazer algo como o Cirque du Soleil, para os intelectuais de Lisboa e do Porto. Mas experimentem levar isso a Portalegre e eles vão perguntar 'que porra é essa?"E pronto, desta forma extremamente delicada está passado mais atestado de estupidez e ignorância ao povo Alentejano.Caro Victor Hugo permita que lhe diga que se fizer tal espectáculo na aldeia de Varche ou da Lentisca certamente as pessoas perguntem, não que porra, mas que "merda é essa?", simplesmente porque a sua população dificilmente ultrapassa as mil pessoas e na sua maioria são idosas com mais de 60 anos, logo não fazendo a mínima ideia do que é o Cirque do Soleil. Mas no Alentejo ainda há gente jovem e adulta com formação, educação e cultura para saber de que se trata tal espectáculo. Além de Portalegre ainda arriscaria mais cidades (sim, no Alentejo temos cidades!) como Évora, Elvas ou Estremoz, só para citar algumas. Portanto faça lá o seu Cirque do Soleil no Alentejo e esqueça lá os intelectuais de Lisboa ou Porto, que a malta agradece.Mas fica uma pergunta pertinente: será V. Exa. culto, ou intelectual, o suficiente para fazer algo como o já referido Circo? Confesso que tenho sérias dúvidas.